sábado, 17 de novembro de 2018



Basta ver como Camilo usava a língua portuguesa para ficarmos informados sobre a sua vontade de poder, de conquistar a atenção, a fama e alma da Praça. Isso acontece com o espírito que é ávido porque é extremamente sobrecarregado de talentos. Aconteceu com Shakespeare, por exemplo. A maneira como dispõe as frases, como escolhe e arremessa as palavras tem muito duma estratégia guerreira. Utiliza o alfabeto como balas e os versos como trincheiras. Julieta fala um tom acima da sua estatura feminina; Hamlet fala para a posteridade e não para a sua pequena corte de intrigantes. Camilo quando mobiliza as paixões dos Brocas, sabe que aquilo não é real, é apenas uma ofensiva contra a mediocridade e a satisfação do meio-termo.
Agustina Bessa-Luís, Fanny Owen

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